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  • Jessica Santos

Alunos não estão preparados para lidar com a desinformação

Conduzido pela universidade de Stanford, o estudo Students Civic Online Reasoning” – a National Portrait reforça a urgência em levar a educação midiática para dentro das salas de aula. Realizada entre junho de 2018 e maio de 2019, a pesquisa ouviu 3.446 estudantes americanos do ensino médio com o objetivo de entender se eles são capazes de interpretar as informações no mundo digital e avaliar a credibilidade das fontes na internet. Os resultados são extremamente preocupantes:


  • 52% dos estudantes acreditaram que um vídeo granulado e sem som constitua forte evidência de fraude eleitoral nos EUA, ao mostrar trabalhadores colocando, secretamente, cédulas em caixas durante uma eleição primária democrata em 2016. O vídeo foi filmado na Rússia, e bastava uma rápida pesquisa para encontrar indícios da história no site da BCC – caminho que só três dos 3.119 estudantes percorreram.


  • 2/3 dos alunos não sabiam a diferença entre notícias e anúncios (definidos pelas palavras "Conteúdo patrocinado") na página inicial do site Slate.


  • 96% dos estudantes não consideraram que a relação entre um site de mudanças climáticas e o setor de combustíveis fósseis poderia minar a credibilidade das informações contidas ali. Ao invés de investigar quem estava por trás da página, os alunos se concentraram em marcadores superficiais: design, rankeamento no Google ou como o site se apresentava no menu Sobre.


O estudo concluiu que a dificuldade em lidar com a desinformação são sintomas de um gap na formação desses estudantes. Quando solicitados a navegar em sites desconhecidos, fact-checkers agem de maneira muito diferente quando os pesquisadores os compararam com calouros de Stanford e professores de universidades de quatro instituições diferentes, com as mesmas tarefas.


Saiba mais: entenda como funciona o trabalho de fact-checking neste vídeo da Pública, uma das principais agências de checagem de fatos do Brasil.


A metodologia do estudo de Stanford


Vale a pena explorar um pouco a lógica por trás do estudo. Os pesquisadores foram buscar no trabalho dos fact-checkers o percurso utilizado para checar a veracidade de uma informação, em que sempre há três perguntas em mente: (1) Quem está por trás da informação? (2) Quais são as evidências? e (3) O que outras fontes dizem?.


Estas questões estão no cerne do que o estudo de Stanford chama de Civic Online Reasoning (COR) – definida como a capacidade de pesquisar efetivamente para avaliar e verificar questões sociais e políticas presentes nas informações on-line (McGrew et al., 2017).

A dimensão cívica é enfatizada no trabalho porque o letramento digital se tornou um pré-requisito para engajamento cívico. Além disso, os pesquisadores defendem um campo mais amplo para a educação midiática, que abarque tópicos como a criação de vídeos na web até os perigos do sexting. O escopo da metodologia COR é mais focada: treina a atenção nas habilidades, conhecimentos e competências que os alunos precisam para tomar decisões sólidas sobre questões sociais e políticas.


Para Joel Breakstone, Mark Smith e Sam Winebur, pesquisadores responsáveis pelo estudo, informações confiáveis ​​são para a saúde cívica o que saneamento adequado e água potável são para a saúde pública.


Um ecossistema poluído de informações põe em risco a saúde cívica de nosso país.

O estudo reforça a necessidade em investir em currículos de educação digital de alta qualidade, validados por pesquisas rigorosas, e que garantam a vitalidade da democracia americana.


A educação se move lentamente. A tecnologia não. Se não agirmos com urgência, a capacidade de nossos alunos de se envolverem na vida cívica será a vítima.

Existem poucas ferramentas para medir a competência dos alunos no mundo digital. Currículos que ensinam os alunos sobre a internet raramente incluem tarefas que solicitam para avaliar fontes reais. Em vez disso, os alunos recebem perguntas de múltipla escolha, verdadeiro / falso itens e, em alguns casos, cenários hipotéticos. A partir dessas atividades, é difícil saber o que os alunos realmente fazem quando lidam com informações em tempo real.


Ao mesmo tempo, as descobertas sugerem que, quando se trata de avaliar a qualidade das fontes digitais, os mais afetados são estudantes que não receberam uma boa formação ao longo de sua vida escolar. Alunos mais pobres e as minorias étnicas e raciais tiveram os piores desempenhos. O acesso equitativo à vida cívica depende muito de oferecer a esses alunos o apoio que eles precisam para desenvolver estas habilidades.


Pesquisa anterior já indicava cenário preocupante


Em novembro de 2016, o Stanford History Education Group divulgou um estudo mostrando que os jovens careciam de habilidades básicas de avaliação digital. Vale a pena a leitura e a constatação de que, apesar dos esforços, pouca coisa mudou.



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