• Jessica Santos

Estudantes não conseguem diferenciar fatos de opiniões, revela Pisa 2018

A edição 2018 do Pisa, a prova mundial que mede o desempenho dos estudantes em leitura, matemática e ciência, mostra que menos de 1 em cada 10 alunos dos 80 países avaliados foi capaz de distinguir fatos de opiniões, considerando pistas implícitas no conteúdo e fontes da informação.


O foco desta edição foi a leitura, com ênfase na capacidade de encontrar, comparar, contrastar e integrar informações entre várias fontes. De acordo com o relatório publicado pela OCDE, os alunos com melhor desempenho precisaram ir além da capacidade de entender e comunicar informações complexas, sendo exigidos a distinguir entre fato e opinião ao ler sobre um tópico desconhecido, compreender textos longos e que tratem de conceitos abstratos ou contra-intuitivo.


Em Cingapura, país com melhor desempenho na disciplina de leitura, apenas um em cada quatro estudantes atingiu o nível máximo de proficiência. Nas províncias/municípios chineses, Canadá, Finlândia e Hong Kong, pelo menos um em cada sete alunos conseguiram chegar lá.


Em um cenário cada vez mais complexo de desinformação, a OCDE defende a urgência em preparar o estudante para compreender o mundo digital, entendendo que esta é uma competência fundamental para participar ativamente da vida social, econômica e cultural.


Em 2009, cerca de 15% dos estudantes não tinham acesso à internet em suas casas, índice que caiu para menos de 5% em 2018. Estudantes passam aproximadamente três horas online durante a semana quando estão fora da escola, o que comprova que o digital se tornou parte do mundo real desta geração.

Os jovens estão mais conectados, mas os resultados do Pisa mostram uma educação que falha em prepará-los para lidar com as informações disponíveis no mundo digital.


A leitura vai além de extrair informações; é muito mais sobre construir conhecimento, pensar criticamente e fazer julgamentos bem fundamentados, e a OCDE está atenta a este movimento. Como parte do Projeto Educação 2030, a partir de 2024 as avaliações estarão mais focadas no aprendizado sobre o universo digital. Para a organização, a educação do futuro deve se concentrar em ajudar as pessoas a desenvolver uma bússola confiável para navegar em um mundo cada vez mais complexo, ambíguo e volátil.

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